Sobre guerras e viagens

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Dia desses aquela conversa que rola no carro depois da aula se enveredou para o tema “guerra”, algo que as crianças estão descobrindo agora.

Aí no meu papel de mãe equilibrista fiquei lá, tentando não assustar e não contando detalhes desnecessários, mas respondendo aquilo que julgava que suportariam.

A conversa foi longa, graças ao trânsito de SP😦 , e acabou chegando nas cidades bombardeadas:

– Mamãe, mas jogavam bombas para destruir as cidades? E as pessoas? E as escolas? E as casas? E Paris? E Londres? E NY? E São Paulo?

E mamãe se equilibrava na corda bem fininha. Expliquei das muitas guerras que aconteceram na história do mundo, da inabilidade do homem em negociar e de sua necessidade de impor suas posições, dei voltas, mas queriam saber das Guerras Mundiais…

Acabei contando que durante as guerras cidades são sim bombardeadas, invadidas e por vezes destruídas. Algumas delas sofreram na Primeira ou na Segunda ou em ambas as Guerras Mundiais, como Londres. Contei de Viena, que teve 70% da cidade destruída por bombardeios durante a Segunda Guerra. Contei da divisão de Berlim e de sua igreja bombardeada.

Kaiser-Wilhelm Gedächtniskirche - Berlin

Berlim: Kaiser-Wilhelm Gedächtniskirche

Contei que São Petersburgo resistiu por 900 dias ao cerco alemão. Contei que Paris não tinha sido bombardeada na Segunda Guerra porque foi dominada pelos alemães, que tinham ordem para incendia-la mas não tiveram coragem de faze-lo, e quando Paris foi finalmente retomada pelos Aliados houve um desfile pela Champs Elysées.

Não tive coragem de contar sobre as bombas atômicas, não falei das barbaridades contra seres humanos. Não tive coragem.

Mas tentei destacar que o mundo vive hoje uma época de relativa paz, que o Brasil é um país pacífico, reconhecido historicamente por sua habilidade diplomática… blá, blá, blá.

Houve um silêncio tão pesado que eu quase podia ouvir o barulho de algumas tacinhas de inocência e fantasia da infância serem quebradas dentro do Dito e da Iaiá.

Berlim altar

No altar bombardeado de Gedächtniskirche , Cristo perdeu o braço direito. Das coisas mais chocantes  que já vi.

Depois de longos segundos o Dito recomeçou:

– Sabe mamãe, eu acho que além de ter uma lei que obriga a gente a ir para a escola deveria ter também uma lei que obrigasse as pessoas a viajarem. É, porque alguém que conhece outros países e outras cidades, que conhece os moradores de outros lugares, que comeu suas comidas, que tirou foto em em suas praças, que navegou pelos seus rios… nunca teria coragem de mandar bombardear Londres ou colocar fogo em Paris ou qualquer outro lugar no mundo!

*

“Talvez viajar não previna intolerância,

mas ao nos mostrar que pessoas choram, sorriem, comem, sentem medo e morrem,

introduz a idéia de que se tentarmos e entendermos uns aos outros,

podemos até mesmo nos tornar amigos.” – Maya Angelou – tradução livre

*

“Perhaps travel cannot prevent bigotry,

but by demonstrating that all peoples cry, laugh, eat, worry, and die,

it can introduce the idea that if we try and understand each other,

we may even become friends.” – Maya Angelou

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