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Viagens – como distrair as crianças 2

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Muitas horas de viagem… avião, carro, trem.

Crianças se distraem e se divertem facilmente. Mas de vez em quando é preciso uma ajuda e acredite: vez ou outra você terá que ajudar a hora a passar :-), especialmente quando é preciso ficar horas sentados ou sem fazer muita confusão.

Se precisarem de uma forcinha sua, temos quatro brincadeiras que as crianças adoram e que ajudam o tempo a passar de forma divertida:

Se eu fosse… uma fruta eu seria…

Nesta brincadeira fazemos rodadas onde cada um tem que dizer o que seria se fosse uma cor, um doce, um carro, um país, uma cidade, uma comida…

Seu fosse uma fruta, seria um morango!

Eu estou vendo um…

Aqui fazemos rodadas onde cada um de nós tem que dizer uma coisa que está vendo e é muito legal descobrir que às vezes não percebemos tudo que está a nossa frente! Vale tudo, o carro, o poste, o fio, a criança, o carro, o gato, o botão da luz do avião…

Eu acho que eu vou ver ou conhecer ou encontrar…

Nesta brincadeira vamos imaginando aquilo que achamos que vamos encontrar ou conhecer ou visitar no nosso destino. Vale tudo, ver o Mickey, ou uma planta do deserto, ou o Oceano Pacífico, ou leões marinhos… Também é uma forma de irmos conversando e ensinando sobre o destino.

História sem fim…

Aqui inventamos uma história, sem pé nem cabeça e que não tem hora para acabar, tampouco precisa de um fim! Alguém começa com uma frase qualquer: “O passarinho comeu mamão”. Então a próxima pessoa inventa algo dando continuação: “o mamão era da Ninoca”. E o seguinte continua com a invenção: “mas a Ninoca não gostava de mamão”. O próximo: “ela queria melancia!”… E assim vamos, viajando e viajando… 🙂

Leões marinhos

Agora é verdade que estas brincadeiras distraem bem os mais velhos. Com os pequeninos as armas tem que ser outras, uma poderosíssima é cantar. Porque quem canta seus males espanta!

Viagens – como distrair as crianças 1

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Uma das grandes angústias nas primeiras viagens é a dúvida sobre como as crianças se portarão durante longos trechos de vôos.

Bem, não tenho grandes segredos para ensinar e aqui também cabe: cada criança é de um jeito, reage e se comporta de uma forma e ninguém melhor que os próprios pais para conhecerem as formas de entreter seus filhos.

O que nós Papis e Mamis temos que considerar é que sim, são muitas horas de vôo. Mas também são outras tantas horas desde a saída de casa até finalmente entrarmos no quarto no nosso destino.

É preciso chegar com ao menos três horas de antecedência nos aeroportos. É preciso tempo para passar pela Imigração, depois esperar as malas, depois trocar o dinheiro… Depois alguém vai querer ir ao banheiro. E aí é preciso mais tempo para entregar ou retirar o carro alugado ou pegar um taxi. Por fim tem o tempo de deslocamento do aeroporto ao hotel onde ainda vai rolar um check in

Resumindo, são muitas horas, muitas mais do que só apenas aquele numerinho que aparece na frente da sua passagem.

E as crianças aguentam? Claro que sim, com alguns cuidados seus, é claro.

Tenha em mãos um arsenal de pequenas coisas, que não requeiram um caminhão para carregar:

1 – o brinquedo preferido, tipo o ursinho de dormir. Especialmente para os pequenos;

Puffles atravessando o Eurotunel

2 – leve livros, gibis, revistas de colorir e lápis;

3 – leve uns joguinhos ou brinquedos ou livros novos, de surpresa, para a hora de um cansaço ou uma crise;

4 – leve o pó do Nescau e leite em pó, tudo fechado na lata. Assim você garante o leite deles antes de dormir e ao acordar no avião;

5 – se eles jogam games ou celular, garanta que as baterias estejam carregadas;

6 – leve uma máquina fotográfica pequena para eles irem fotografando suas muitas horas de deslocamento;

7 – use e abuse das telinhas das poltronas do avião com seus joguinhos, filmes, músicas;

8 – não se esqueça de levar comidinhas. Opções de bolinhos, bolachinhas, bolo, panetone ou  o que mais eles gostarem. Criança com fome e cansada costuma ficar chata, já que o cansaço faz parte da viagem, ao menos garanta que não estejam com fome!

9 – cante músicas, faça brincadeiras (mais Dicas aqui) e para os maiores: dê um diário para que eles façam os relatos da viagem;

10 – ah, na hora de escolher os brinquedos atente para não levar coisas com pecinhas muito pequenas ou carrinhos que podem cair e sair “andado” dentro do avião. Já pensou se você tiver que sair procurando o carrinho que disparou durante o pouso? 🙂

Agora, o maior segredo:

1 – você não poderá se estressar, senão o caldo entorna…; e

2- não entregue seu arsenal todo de uma vez. Vá aos pouquinhos, de passo em passo.

É um exercício contra o tempo, com cuidado, paciência e dedicação nós vencemos!

Por que viajar com as crianças? (1)

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Uma perguntinha com muitas respostas…

A primeira, e provavelmente a mais fácil delas, pode ser a seguinte:

Viajamos com as crianças para descansarmos, para nos divertir, para ficarmos juntos, para conhecermos coisas novas.

Viajamos para brincar na praia, para andar de bicicleta, para subir na Tour Eiffel, para tirar foto da rainha ou com o Mickey! E quem sabe, com alguma sorte, um dia ainda encontramos sir Paul McCartney e postamos as fotos aqui! 🙂

Tudo isso é verdade, mas não é a única razão que nos leva a viajar com as crianças.

Para relaxar na praia…

Uma outra resposta, um tantinho mais complexa…

Viajamos com as crianças porque o mundo em que elas nasceram é menor do que aquele em que nasci. É um mundo em que 1 bilhão de pessoas circulam em torno do globo terrestre todos os anos. É um mundo em que um filme amador feito em Los Angeles “cai na rede” e provoca ondas de ataques em 20 países em diferentes continentes, inclusive o europeu. É um mundo em que as informações circulam de forma incessante. É um mundo em que o mandarim começa a ser uma língua estudada por crianças ocidentais. É um mundo onde o Brasil não é mais o país do futuro, o futuro chegou.

É passado aquele mundo em que a geração de meus avós viveram, muitos deles imigrantes que sequer ousaram sonhar em um dia pisar novamente na terra natal. Dentre eles poucos o fizeram. Era um mundo que vivia guerras, destruição e pobreza.

É também passado o mundo em que a geração de meus pais viveram, onde alguns deles ousaram sonhar em conhecer a terra natal dos pais ou Paris. “Ah, Paris a cidade mais linda do mundo”, diz Remy no desenho Ratatouille… a viagem dos sonhos de uma vida. Alguns chegaram lá. Foi um mundo de reconstrução pós-guerra e que tinha muito menos.

Em 1964, já famosos… Fonte: Beatles Bible

E é também passado o mundo em que minha geração cresceu, onde o Brasil era prometido como o país do futuro e começava a trilhar caminhos democráticos. Alguns de nós ganharam uma viagem para Disney no aniversário de 15 anos, outros ganharam um programa de intercâmbio para aprimorar o inglês, outros fizeram estágios internacionais ao concluir a faculdade, outros fizeram especialização ou doutorado sanduíche. Ouso dizer que minha geração sonhou com Paris, muitos chegaram lá e alguns continuaram na estrada rumo a Londres, Roma, Barcelona, Nova York, San Francisco, Santiago, Sydney… o mundo começou a ficar menor ou melhor, as distâncias tornaram-se menores.

Então vem a geração de meus filhos, nascida no futuro de um país promissor de um mundo conectado. Uma geração que começa a olhar o mundo através de uma tela touch screen de um iTudo. Filha de uma geração que já experimentava um mundo com distâncias menores.

Patinando no gelo numa noite de Natal em Bruges - Bélgica

Patinando no gelo numa noite de Natal em Bruges – Bélgica

E são justamente estas distâncias que conferem ao mundo de hoje este novo tamanho que nossos filhos passam a enxergar, tamanho este que impõe novos olhares sobre ele mesmo.

A diversidade cultural, econômica, religiosa do mundo fica cada vez mais evidente neste mundo conectado e cada vez mais próximo. Aprender o respeito, a tolerância e a convivência pacífica é dos exercícios mais importantes que desafiam esta geração que cresce sob nossos olhos. E este aprendizado ganha muita força justamente em viagens.

Voltamos então ao sonho de Paris. Ah, Paris continua lá lindíssima, talvez a cidade mais linda que o homem já construiu. Também cada vez mais muçulmana – apenas uma respeitosa constatação minha sem qualquer juízo de valor ou fundamento científico, o que justamente a torna um excelente exemplo do respeito às diferenças.

Talvez comece em Paris o sonho desta nova geração, no entanto ele não se extingue aí. Alça vôos maiores, inimagináveis para as gerações anteriores. Eles olham para a Ásia e alguns já ousam sonhar com a Índia, Japão, Singapura ou China!

“Nossa mamãe, nunca estive tão próximo do Japão!” comentou o Dito mirando o Pacífico em Santa Monica – Califórnia e sonhando com o Japão…

Para esta geração, a China e seu mandarim são só uma questão de tempo.

“A mente que se abre a uma nova idéia

jamais voltará ao seu tamanho original.”

Albert Einstein

Quando nós começamos?

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Um pouco menos radical que os nórdicos, pelo menos quando éramos mais inexperientes, nós gostamos de começar com pequenos percursos de carro feitos em poucas horas de viagem, especialmente para lugares familiares onde já conhecemos a infraestrutura que nos espera.

Falando claramente, nossos três filhos fizeram suas primeiras viagens de carro em torno dos 2 meses de vida. Nos três casos fomos para o interior, para a casa onde nasci onde a infraestrutura é mais do que conhecida e dista cerca de 200km de nossa casa.

Estas pequenas viagens de carro são muito educativas e proveitosas para todos. A partir delas, na medida em que nos sentimos seguros e percebemos na criança condições para passos maiores, vamos então aumentando os trechos.

Já a primeira viagem de avião tem variações entre os filhos e refletem nossa experiência adquirida.

Com nosso primeiro filho, ainda iniciantes, viajamos quando ele tinha cerca de 6 meses de vida para a casa dos avós, a 2.000km de distancia.

Dito (06 meses) nos idos tempo da Varig

Com a segunda filha, já mais experientes, fomos para Salvador e Costa do Sauípe quando ela tinha quase 3 meses de vida.

E com a terceira filha fomos aos 2 meses para a casa dos avós (2.000km) e depois aos 4 meses para a Europa.

Iaiá (05 anos) e Ninoca (04 meses) na Eurodisney. Será que elas estavam gostando?

Iaiá (05 anos) e Ninoca (04 meses) na Eurodisney

Alguns acharam que tínhamos perdido o juízo na última viagem?

Claro que sim! Mas o que é preciso ter claro é que não nos aventuramos sem rumo com duas crianças e um bebê de 4 meses. Tudo foi meticulosamente planejado para desfrutarmos nossas férias tranqüilamente.

Mas e os riscos?

Bem, riscos e imprevistos são intrínsecos à vida!

Primeiras viagens

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Quando começar a viajar com as crianças?

Perguntinha tão comum quanto difícil e não é a única…

Esta foi uma dentre as muitas dúvidas que me acompanharam durante a primeira gravidez.

Hoje, depois de três filhos e com alguma experiência no assunto, acredito que os primeiros passos são a reflexão que nos leva à certeza de que vamos continuar viajando, só que agora com as crianças!

Comece quando o coração disser que é a hora. Quando se sentirem prontos e com forças para dar início ao movimento, ainda que muitos achem que vocês perderam o juízo. E alguns vão mesmo achar isso! :-O

Quando tiver a certeza de que não ficou louca e de que não é um extraterrestre por planejar viajar com as crianças… boa viagem! Já pode começar a planejar! 🙂

Ninoca aos dois meses numa conexão em BrasíliaNinoca aos dois meses numa conexão em Brasília

Mas relaxe se não lhe parecer fácil, na prática não é fácil mesmo. É uma decisão que envolve diversas variáveis e escolhas familiares muito pessoais.

Depende de seu ponto de vista, suas escolhas, sua experiência com viagens, suas possibilidades financeiras. Depende de muito planejamento.

Mas depende também, e muito, do seu bebê e de mamis e papis. Depende daquele jeitinho entre mães e filhos, depende da confiança do bebê em você e sua segurança com relação a ele. Depende da disposição e tranqüilidade sua e de papis com relação à mudanças, movimentos, alteração da rotina, imprevistos.

Sim, porque viajar implica “necessariamente”: sair da rotina e mudar o sono, os costumes e as refeições… Se for ficar louca querendo reproduzir tudo igualzinho “lá em casa”… melhor ficar em casa. Avalie bem!

Então, estão tranqüilos, vai ser um prazer para vocês?

Se sim, comece consultando seu pediatra. A princípio os pediatras liberam algumas voltinhas das crianças entre o segundo e terceiro mês de idade, se tudo estiver bem.

Isso não significa que dar a volta ao mundo com um nenê que mal abre os olhos já está liberado, ou seja simples. Na prática, cada caso é um caso, cada filho é de um jeito, cada lugar demanda uma disponibilidade.

Com o primeiro filho acho mais fácil começar com pequenas viagens de carro para lugares próximos, de preferência algum lugar já conhecido. Atente para o clima local e conforto para banho, mamadas e sono do bebê.

E na medida que se sentir segura vá aumentando estes passos, distâncias e experiências.

O limite? É o mundo!

Ninoca dando umas voltinhas em Londres aos 04 mesesNinoca dando umas voltinhas em Londres aos 04 meses

E aí, se quiser mesmo dar a volta ao mundo não se sinta um extraterrestre. Dê uma olhada em: “Uma forcinha (bem grande…)”  , “Mais uma forcinha” e “Um empurrãozinho”.

Também pesquise em blogs americanos e europeus. Especialmente nos países nórdicos os pais aproveitam as longas licenças maternidade/ paternidade e dão sim a volta ao mundo com bebês!

Só não nutra a ilusão de percorrer todas as esquinas de Roma em dois dias e acompanhada por um bebê. Tampouco conhecer sete países em 20 dias e aproveitando o Europass até o limite. Já não são mais dois adultos viajando ou mochilando sozinhos, né?

Viajar com as crianças não é, nem deve ser, uma prova de resistência para elas, tá?

E para ajudar, tenha em mente: bebês são iguais em todos os lugares do mundo! Todos têm as mesmas demandas: choram (note que não estou falando de chiliques), fazem xixi e cocô e dormem.

Se seu bebê se enquadrar nesta descrição básica, bingo! Ele não é um extraterrestre! 🙂

Pode apresenta-lo ao restante da humanidade. Será bem vindo!

“A journey of a thousand miles must begin with a single step.” – Lao Tzu

Aqui tem…

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Aqui tem… nossa experiência em viagens com as crianças, nossas reflexões e algumas conversas com amigos sobre viagens, filhos, escolhas.

São histórias, sugestões, dicas, informações, pesquisas e comentários absolutamente pessoais, aqueles que envio ou enviaria a nossos amigos. Facilitou para os amigos e para mim. E se ajudar mais alguém será perfeito.

E como o tema central é viagem, Crianças também viajam! adotou uma antiga e interminável coleção de recortes com dicas de lugares mundo afora que eu juntava há anos sem saber ao certo para que.

Então você vai encontrar aqui um pouquinho de tudo isso e provavelmente mais algumas outras coisas que eu talvez ainda nem tenha descoberto! 🙂

Mas por favor tenha em mente: não aspiro ser a última palavra sobre qualquer roteiro, destino ou forma de viajar com as crianças. Também não sou jornalista, não trabalho com turismo ou em revistas de turismo.

Respeito, absolutamente, as opiniões diferentes da minha e adoraria ouvir comentários.

E se você tem histórias de suas viagens com seus filhos mande para cá, será um prazer publica-las.

Obrigada pela visita e boa viagem!

Numa praia por aí...

Numa praia por aí…

Este blog

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Há muitos anos li “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke. Uma profunda lição de vida na forma de dez cartas escritas por Rilke a um jovem alemão que vivia momentos de incerteza quanto a seu futuro como poeta.

“Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever;

examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma;

confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever?

Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:

Sou mesmo forçado a escrever?”  Ed. Globo, 16a. edição, p.22

Estas Cartas deixaram balizas que me acompanham por todos estes anos. Não porque eu seja uma poetisa ou um dia tenha aspirado algo próximo a isso. Mas compreendidas como lição de vida sustentaram escolhas e respostas que dei a mim mesma ao longo do caminho.

E mais uma vez as questões de Rilke me espreitam: por que criar um blog? Sou mesmo forçada a isso?

Não sou tão romântica quanto Rilke, também já não tão jovem e tampouco poeta. Logo, é claro que não morreria se não o fizesse. Mas de alguma forma me sinto forçada a cria-lo, a ideia do blog me persegue há algum tempo e não quis me deixar. Cresceu, tomou forma.

Mas por que cria-lo?

Porque amo viajar. Porque amo viajar com as crianças. Porque amo planejar viagens. Porque amo blogs e informações sobre viagens. Porque amo escrever, embora não seja escritora ou jornalista. Porque vivo viajando, em casa ou pelo mundo. Ah, e porque os amigos estão sempre me perguntando coisas sobre viagens.

Quase mais um filho gerado, então vamos ao parto!

Eis Crianças também viajam, e elas adoram! 

Bem vindo, Welcome, Bienvenue, Willkommen, Bienvenidos 🙂